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Oscar Niemayer, um rapaz de 103 anos

Por Rubén Figaredo. Professor visitante da U.F.R.N.

Em Brasil, dizer Niemayer é o mesmo que dizer Brasília. E também é falar de um homem que após ter dominado o espaço está a vencer ao tempo. Alguém capaz de conceber uma cidade nova emanada diretamente do espírito de um povo que precisava um espelho no que se olhar. A arquitetura distingue três tipos de distância interpessoal: a distância íntima que oscila entre os 50 cm. e o metro e médio; a distância social que parte do metro e médio aos dois metros e médio; e por último, a distância pública, que vai desses dois metros e médio em adiante. Um dos segredos de uma boa arquitetura é que os utentes se sentam bem na cada uma dessas distâncias, e que a cada um possa seguir sendo indivíduo em médio de uma grande massa. Como Rômulo, miticamente enfrentado com seu irmão Remo pelo traçado da cidade de Roma, litiga contra todo aquele que dizia que não era possível traduzir numa cidade o ideal brasileiro. Hoje os expedientes e os servidores públicos são tão ditosos nesse paraíso administrativo, que a cada trâmite se eterniza entre seus muros de desenho perfeito. A arquitetura de Niemayer explora a beleza da estrutura e seus edifícios parecem esqueletos branqueados pela intempérie, que alguém deixou esquecidos para ser habitados, ou para alimentar as polêmicas que são tão gratas a quem fazem da cerração sua razão de ser. Em 1943 a igreja negou-se, num primeiro momento, a abençoar a igreja de San Francisco de Asís, em Belo Horizonte, aludindo a sua estranha forma, como se as curvas e contracurvas pudessem torcer a direita devoção dos fiéis. Seus posicionamentos políticos, próximos ao partido comunista, impediram-lhe três anos depois ir ao convite da Universidade de Yale para dar classes de arquitetura, ao ser-lhe denegado o visto para entrar nos Estados Unidos. Em Natal desenho o Parque Dom Nivaldo Monte, mais conhecido como Parque dá Cidade. Aberto desde 2008 ocupa uma extensão de sessenta e quatro hectares servindo de chave entre as zonas sul e oeste. O projeto, promovido pelo anterior prefeito potiguar Carlos Eduardo Alves conseguiu resgatar da avidez imobiliária um dos maiores complexos de dunas da cidade, baixo o que se situa o maior aqüífero da cidade que extrai do subsolo mais de 70% de sua água. A superfície construída é mínima, a arquitetura só pretende servir de pontuassem a um lugar natural de grande beleza.



O Parque Dom Nivaldo Monte - Parque dá Cidade, Natal

Destaca sua grande torre de quarenta e cinco metros de altura, em cuja cúspide encontra-se um restaurante panorâmico e uma grande sala de exposições, que num princípio estaria destinada a explicar a história da cidade. Por desgraça, com a mudança de governo todo o parque se encontra num abandono lamentável com o belvedere clausulado e mais guardas de segurança que passeantes. Também estão fechadas a escola de educação ambiental, a biblioteca e o auditório, deixando praticamente sem utilidade o grande investimento da obra civil, já que o longevo arquiteto, como costuma fazer quando os projetos são de interes social, renuncio a seus honorários. Para o brasileiro médio o Niemayer familiar é o que mais interessa. Em 1990 este tataravó, pois tem netos, bisnetos e trinetos, foi entrevistado pelo historiador David Underwood que lhe perguntou: “Senhor Niemeyer, qual destes exemplos é ao final o mais importante ¿Einstein ou as montanhas?”. Ao que o carioca contesta: “A mulher, a mulher é mais importante que tudo”. Este trovador da forma ainda vive o amor, casado com sua secretária Vera Lucia, quarenta anos mais jovem, que se é verdade que se tem a idade de quem se ama, converteu ao idoso arquiteto num rapaz de 103 anos.

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